SEMANA SANTA AD MMXXII

UM SOLDADO DIANTE DO TÚMULO DO MESTRE JESUS

Depois daquela hora em que o céu se abriu de cima em baixo, todos viram o erro que cometeram ao crucificar Jesus Cristo, o Nazareno, pois muitos reconheceram que “verdadeiramente Jesus, era o Filho de Deus”, acreditavam que após José de Arimatéia pedir a Pilatos que o deixasse retirar o corpo de Jesus da cruz e dele receber a permissão e junto com Nicodemos o retirar e o enrolar em um tecido de linho e rolarem a pedra para lacrar o túmulo em que fora enterrado o Senhor, o fato estaria consumado e a voz do Cristo nunca mais seria ouvida.

Como soldado do Mestre, eu estava ali, apreciando tudo de longe, mas ao mesmo tempo tão de perto, como se o meu espírito estivesse flutuando.

Percebi que os discípulos se encontravam atônitos com a perda de seu Mestre. Pareciam formigas sem rumo, em cujo formigueiro fora colocado veneno.

Era difícil compreender como tudo aquilo havia acontecido, tendo em vista que dias antes, Jesus entrará vitorioso em Jerusalém, saudado e aclamado com palmas estendidas por seus discípulos, seguidores e pela multidão que via nele um santo.

Enquanto a confusão pairava no ar, o Mestre mergulhava no mundo dos mortos, para dar o grande salto para vida.

Poucos pareciam entender que para ressuscitar é preciso morrer, conforme Jesus já havia anunciado a Nicodemos, ao afirmar que “para entrar no reino do céu é preciso renascer”. Assim, poucos compreendiam a necessidade daquele momento para que a morte fosse vencida e o Cristo triunfasse sobre ela, reaparecendo em um corpo glorioso.

Da mesma forma que como Soldado de Cristo naquele momento, eu também não entendia que a trajetória do Cristo teve como objetivo marcar o caminho que eleva o homem da qualidade de criatura de Deus a filho de Deus, através de sua transformação, do nascimento do novo homem, da realização de boas obras, do seu aproximar de Deus pela via do amor, que é a única via possível na condução do homem até Deus.

Poucos pareciam entender que na via do amor não pode existir o ódio ou rancor, a vaidade ou o egoísmo, a injustiça ou a maledicência, o mal e seus efeitos nocivos à humanidade, afinal, presenciaram uma grande injustiça, uma grande falta de amor.

Poucos pareciam entender sobre a necessidade do renascimento anunciado pelo Cristo, da necessidade da mudança de hábitos e de costumes, da lei da causa e efeito, do profundo sentimento do “amar ao próximo como a si mesmo”. Tudo ainda era muito novo.

Os ensinamentos do Cristo ainda estavam frescos, como a erva que acolheu o sereno durante a noite para se tornar mais viçosa a fim de gerar muitos frutos e alimentar a toda a humanidade com o fruto da vida eterna, cuja árvore era o próprio Mestre Jesus, que sempre produziu através de sua videira o fruto do amor e, através desse fruto, Ele se apresentou como filho de Deus na transmutação da água em vinho, nas bodas de Canaã. O ato tem importante simbologia, visto ser uma demonstração de que a matéria precisa ser espiritualizada para resplandecer e realizar as transformações, que aos olhos do homem, pode parecer algo impossível, mas, com a graça de Deus, se torna realidade, tendo o Cristo afirmado “vós podeis fazer tudo o que eu faço e mais ainda”.

A graça esteve presente em todos os momentos da vida do Mestre Jesus, que sempre se mostrou um servo fiel. Pela graça o Senhor Deus O ressuscitara dos mortos, de forma que o homem possa compreender um pouco mais sobre o poder e a Glória de Deus.

Como Soldado de Cristo, pude perceber que com o baixar ao mundo dos mortos, Jesus carregou consigo os pecados do mundo. Ao longo da vida Jesus caminhou sem contrair os pecados do mundo e sem usar a antiga lei do “olho por olho dente por dente”, mas, a lei do amor que a tudo constrói, a tudo dá a vida e que representa o forno alquímico, onde o metal bruto é transformado em alimento sagrado para toda a humanidade, alimento esse que agrada ao Senhor.

Jesus venceu a morte sendo o Senhor da vida.

Jesus venceu o ódio sendo o Senhor do amor.

Jesus venceu as mazelas do mundo sendo o Senhor do perdão.

Jesus venceu a escuridão das trevas sendo o Senhor da vida e da Luz.

Jesus venceu as dores do mundo sendo o Senhor da cura.

Jesus venceu as amarguras sendo o Senhor da Esperança.

Jesus venceu a tristeza sendo o Senhor que traz alegria ao coração do homem.

Jesus venceu a doença se apresentando como o médico da alma.

Jesus venceu a incompreensão sendo o Senhor da compreensão e do acolhimento.

Jesus venceu as barreiras e todas as pedras que encontrou pelo caminho, sendo o Senhor que conduz o homem a Deus, nos caminhos da sua evolução espiritual e do seu encontro com o Pai.

Jesus desceu ao mundo dos mortos para dar ao homem a vida eterna.

Todas aquelas reflexões passavam na cabeça do Soldado de Cristo, que ao largo observava o que aconteceu, sem que ainda soubesse que o Mestre, depois de todo aquele martírio e de sua descida ao mundo dos mortos, viesse a se tornar ainda maior, que seria o grande timoneiro para conduzir a humanidade ao porto seguro da paz e da evolução humana, onde brilha a luz do Senhor e onde todos podem repousar em Seus braços e serem acolhidos como filhos de Deus.

Pode perceber que no coração de João, Maria mãe de Jesus e de Maria Madalena a esperança nunca morreu, que dentro de seus corações Jesus sempre habitou e a cada pulsar parecia sussurrar-lhes aos ouvidos como sempre buscou ensinar a todos: tenham fé, não desanimem, não percam a esperança, Eu estou aqui e sempre estarei em seus corações e em todos os corações que acolherem as mensagens que meu Pai pediu para vos transmitir.

É como se o Mestre dissesse lembrai-vos sempre que “eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Lembrai-vos que “eu sou a fonte de água viva e aquele que vem a mim e bebe da água que Eu lhe dou, não sentirá sede jamais”.

Lembrai-vos que “eu sou a ressurreição e a vida”, portanto, mantenham acesa a chama da Esperança e continuem caminhando no Caminho da Luz, para que possais reencontrar comigo.

Onde houver fé, a esperança não morre.

Onde houver Esperança, a morte não existe.

Onde houver vida eterna, existe a comunhão com Deus, porque aconteceu a transformação do homem em filho de Deus.

Somos convidados na Páscoa do Senhor a seguir os passos de Jesus e manter a nossa fidelidade a Deus e ao Nosso Senhor Jesus Cristo. Para isso, faz-se necessário sempre buscar o alinhamento das nossas energias, palavras, pensamentos e ações aos princípios do Cristo.

Non Nobis Domine, Non Nobis Sed Nomini Tuo da Gloriam

Não a nós Senhor, não a nós, mas a Tua glória.

Recebam todos o Fraternal e Tríplice Abraço Templário desse vosso Irmão e servo de Deus.

S.A.E Dom Albino Neves

52º Grão-Mestre

OSMTH Magnum Magisterium


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